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Bon Jovi oferece comida a funcionários do governo Trump sem salários

Outras celebridades como Jimmy Kimmel também se solidarizam com afetados pelo shutdown

Jon Bon Jovi (Foto: AP Photo/David Richard)

O músico Jon Bon Jovi se juntou à onda de solidariedade em favor dos funcionários do governo dos Estados Unidos que não estão recebendo seus salários. A estrela do rock tem um restaurante sem fins lucrativos que oferece refeições em troca de doações para quem puder pagar, ou de graça para aqueles que não tiverem condições de ajudar. E, numa publicação do seu Facebook, o estabelecimento convidou todos os funcionários afetados pela paralisação parcial do governo, que já ultrapassou um mês de duração, e suas famílias a contarem com o seu apoio.

“Trabalhadores federais estão convidados a se juntar a nós para uma refeição deliciosa e para receber informações sobre o apoio adicional e os recursos disponíveis em nossa comunidade”, diz a publicação do Facebook.

Bon Jovi se apresenta no Rock in Rio 2017 no Rio Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

O apresentador de TV Jimmy Kimmel também ofereceu ajuda aos funcionários afetados, dizendo que contrataria um deles por dia até o fim do chamado shutdown . Outro que também se dispôs a alimentar as famílias necessitadas no momento de crise foi o chef José Andrés, que fundou o grupo World Central Kitchen em 2010 a fim de reduzir os efeitos de desastres sobre populações.

Segundo o The New York Times, na semana passada havia longas filas de funcionários federais à porta do restaurante de Andrés, equipado para alimentar até milhares de pessoas afetadas pela paralisação. Ao jornal, a americana Carrie Wilder, uma mãe solteira que trabalha há 11 anos para o governo, relatou seu sofrimento à beira das lágrimas:

— Eu estou assistindo aos jornais a cada dez minutos, rezando para que algo aconteça, porque nós não aguentamos mais — disse ela.  — Nunca senti a sensação penetrante de desespero que sinto agora.

Já Jennifer Dews, uma técnica do Departamento de Agricultura que também recorreu aos alimentos oferecidos por Andrés, disse ao Times que parou de pagar parte de suas contas e começou a buscar doações em igrejas de Washington para obter mantimentos, na esperança de manter seus filhos bem alimentados. Assim como ela, muitos são os funcionários do governo que têm frequentado, alguns pela primeira vez nas suas vidas, bancos de alimentos para populações vulneráveis.

Com efeitos particularmente em Washington — onde, segundo o New York Times, vivem mais de 250 mil funcionários federais — a paralisação parcial do governo é resultado de um impasse entre os congressistas republicanos e democratas para definir o Orçamento do ano fiscal de 2019. Completando 32 dias nesta terça-feira, este é o mais longoshutdown da História dos EUA.

O presidente Trump afirma que não vai assinar qualquer Orçamento aprovado pelo Congresso que não incluir fundos para a construção de um muro ou de uma barreira de aço na fronteira. Os democratas, maioria na Câmara dos Representantes, recusam a proposta. Nem Trump, que exige alocar  US$ 5,7 bilhões para cumprir sua promessa de campanha, nem a oposição democrata no Congresso, que considera o muro  imoral, caro e ineficaz para combater a imigração ilegal, dão o braço a torcer.

Não são só os funcionários que sentem na pele os impactos do shutdown, mas também aqueles que contavam com a assistência do governo para sobreviver ou, ao menos, viver melhor. Por exemplo, Ramona Wormley-Mitsis, que em dezembro, após anos de espera, finalmente recebeu as boas notícias de que o governo federal havia aprovado um subsídio que lhe permitiria alugar  uma casa de três quartos, cercada por uma cerca branca para manter seguros os seus dois filhos autistas.

Alguns dias depois, ela contou ao New York Times, o sonho da mãe de 39 anos foi adiado. O Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano, uma das agências federais mais atingidas pela paralisação, não seria capaz de pagar seu novo lar até que o governo voltasse ao normal. Em situações semelhantes vivem outros grupos em necessidade, incluindo moradores de rua e famílias de baixa renda que recebem ajuda de ONGs. A assistência financeira que  normalmente vem do governo a estas organizações parou de chegar em 01 de janeiro.

As previsões, por enquanto, não são boas para as próximas semanas. O Departamento de Agricultura anunciou que o financiamento para o Programa de Assistência Nutricional Suplementar, que fornece cupons de comida e outros tipos de ajuda para quase 40 milhões de americanos pobres e da classe trabalhadora, terminará em 1º de março, e outros programas de nutrição estão enfrentando o mesmo destino, ainda de acordo com o Times.

Trump culpa os democratas pela paralisação. Durante as últimas semanas, tem publicado ataques aos adversários políticos e os culpado por supostamente não sentarem à mesa para debater a segurança na fronteira e solucionar a paralisação. Os opositores da presidente apontam que o chefe da Casa Branca não aceita ponderações à proposta e insiste em fechar o governo como pressão para aprová-la.
Fontes: O Globo, The New York Times e Reuters

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